Fotografia como Arte
A Fotografia como Arte
Ser artista não é o privilégio de pessoas super dotadas, mas uma possibilidade que têm todas as pessoas normais, a quem a natureza favoreceu com um par de olhos.
Estudar Arte ajuda-nos a ver o mundo da imagem de uma forma mais objectiva, temos negligenciado o dom de compreender as coisas através dos nossos sentidos.
O conceito está divorciado do que se percebe, e o pensamento move-se entre abstracções.
Os nossos olhos foram reduzidos a meros instrumentos de identificação e de medição, daí sofrermos de uma carência de ideias exprimíveis em imagens e de uma capacidade de descobrir o significado no que vemos.
A análise de uma imagem pode dizer mais de uma pessoa, que a própria imagem, o que transforma o processo de análise numa espécie de auto-retrato.
Um acidente de viação onde exista imagens de corpos despedaçados é insuportável para a maioria das pessoas, para um talhante é algo de normal, e para um futuro assassino até é excitante.
Baseando-nos neste argumento podemos esperar que as imagens nos ensinem o valor de admitir os nossos segredos e os perigos de os esconder.
Que poderá curar o medo a quem trabalha com imagens? conhecimento.
O conhecimento da sua especialidade no processo de comunicação, uma visão global, desde a análise, a estratégia, a narração e mensagem, a imagem, a forma e cor.
O mero contacto com as obras-primas não é o suficiente.
A capacidade inata para entender através dos olhos está adormecida e deve ser desperta.
E a melhor maneira é pegar na nossa camera fotográfica e sair à procura.
Temos de ter atenção a não nos deixarmos bloquear pelos maus hábitos e conceitos erróneos muitas vezes provocado pela falta de orientação.
Aprender a linguagem das imagens é muito importante, as palavras não são o suficiente para exprimir sentimentos, é impossível comunicar as coisas visuais através da linguagem verbal.
Quando olhamos um quadro de Rembrandt Harmenszoon van Rijn, aproximamo-nos de um mundo que nunca nos foi mostrado, penetrar nesse mundo significa receber um clima especial e a característica de luzes e sombras, os rostos e gestos dos seres humanos, a atitude face à vida, é recebê-lo através dos nossos sentidos e sensações, não existe palavras para relatar a uma terceira pessoa a experiência vivida pela observação.
A linguagem não pode executar a tarefa porque não é a via directa para o contacto sensorial com a realidade., serve apenas para nomear o que vemos, ouvimos e pensamos.
Devemos deixar que os nossos olhos levem ao nosso cérebro estas experiências, antes de receberem um nome devem ser codificadas por análise perceptiva. Ela aguça a visão para a tarefa de penetrar uma obra de arte até aos limites impenetráveis.
O delicado equilíbrio de toda as potencialidades de uma pessoa é perturbado apenas quando o intelecto se choca com a intuição, mas também quando a sensação expulsa a razão.
A auto-análise descontrolada pode prejudicar a pessoa que se recusa a entender como e porque trabalha.
A arte requer um tipo de conhecimento íntimo que só nasce através de um amor prolongado e uma devoção paciente, somente possível com o esforço da mente.
A descrição dos tipos de coisas que se vêm e quais os mecanismos perceptivos que se devem levar em consideração.
Entender uma obra de arte tem de ser encarada como um todo, a composição, o clima de cores, a dinâmica das formas.
Fotografar um assunto, instruirmo-nos o mais que pudermos a seu respeito, para que nada seja negligenciado pelo observador.
Carlos Vilas 6-04-2010
